Minha Menina!...
E então Pequena Cria abriu as asas, alçou o voo e ganhou o céu.
Azul (assim!): limpo.
Fotografias, ilustrações e grafismos sem peridicidade certa
E então Pequena Cria abriu as asas, alçou o voo e ganhou o céu.
Azul (assim!): limpo.
por
Margarida C.
às
8:12 AM
Deixando o aeroporto, reparo que colocaram na vitrine a ilustração perfeita da única recomendação materna que me lembrei de fazer: abra muito os olhos e devore o mundo, Minha Estrela!
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Margarida C.
às
7:54 AM
Reparando bem, as paredes falam. O propósito da vida está por todo o lado, escrito em letras garrafais. Para todo o mundo ler e ninguém errar a mensagem. Não há como falhar os sinais. Em qualquer direcção que se olhe, eles aí estão: bem visíveis.
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Margarida C.
às
6:16 AM
Perceber um certo caos sempre me fez sorrir.
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Margarida C.
às
4:26 PM
Por uma razão ou por outra, eis o cenário previsto para toda a semana: no "escurinho" do backstage.
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Margarida C.
às
9:10 AM
A tirania do betão torna imperiosa a devolução: 'back in town'.
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Margarida C.
às
7:00 PM
Em trânsito por Lisboa. Barrada num providencial sinal vermelho. Para bater de frente com qualquer coisa que fica entre o garante e a evidência: não, afinal não somos todos iguais. Finalmente, não somos.
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Entre todos sobram alguns. Alguns poucos bastantes. Para nos remediar desses tantos todos, que são muitos e são tantos, e são tão pouco nos muitos que todos são.
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45 segundos de atraso para seguir de alma mais descansada: os muros de Lisboa ainda falam e as paredes ainda se confessam.
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E está tudo certo, então. As calçadas ainda dão pelo nome e a cidade ainda pertence aos que rasgam o peito na rua. Só por isso já terá valido a pena. O atraso, o sinal fechado no vermelho, Lisboa e mais os 45 segundos. Posso seguir mais tranquila e menos só: bati de frente com o rasto dos que ainda cospem amor e, espichando o amor assim escarrado - com o igual despudor dos loucos e a mesma arrogância dos amantes - fazem a cidade sua, por se tornarem mais carne e menos gesso, menos sombras e mais poetas. Quase artistas, quase donos, não sei se da obra assinada a tinta, ou se da sua obra ser só, em bom rigor, a obra de não ser obra nenhuma.
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E está tudo certo, então. Afinal as paredes falam, as esquinas cospem espichos de amor escarrados e Lisboa ainda é dos que ficam nús contra o tijolo.
A crú. Como os muros da cidade.
por
Margarida C.
às
12:42 PM
Remexendo nos baús da Amazónia. Armas e jóias simples são tesouros raros. Coubessem no cofre, e eu guardava.
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Margarida C.
às
10:32 AM
Os pés descalços de novo. Outra vez enterrados na areia. Os dois pés - descalços - na areia - enterrados. Assim. Hoje. Aqui. Enfim.
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Margarida C.
às
11:36 PM
Acabou de me ocorrer que é quase Primavera. Olhando o prédio em frente. Entrando no quarto das Meninas.
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Margarida C.
às
11:02 AM
Enquanto a casa dorme, até o tempo se esquece de existir.
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Margarida C.
às
7:55 AM
Pesquisando achados. Investigando descobertas. Transformando em missão arqueológica colectiva, a tarefa de compor o espaço por aqui.
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Margarida C.
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6:05 PM
E quer saber porque não me irrita? Porque eu sei que, afinal de contas, a atenção às distracções é própria dos bichos. No fundo, é só a sua estratégia mais imediata para nos ludibriar.
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Margarida C.
às
5:32 PM
Esta manhã: Lisboa vista das Amoreiras.
Quando há folga, a cidade até parece menos hostil. Ou talvez seja só da luz. "Desta" luz. De uma certa luz que (dizem!) Lisboa tem. Já não sei. Talvez.
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Margarida C.
às
3:30 PM
Recebi ontem, no Dia da Mulher. Vieram entregar na redacção. Para mim (que bom!).
Um vaso simples. Sem laço, sem papel crepon, sem cartão (que bom!). Sem nenhum adorno. Só assim: ainda a babar terra. E eu gostei. Muito (tanto!). De receber. Bom. Tão bom.
* Hoje acordei de frente para ele.
Fica lindo, ao sol da manhã. A velar a janela do meu quarto. Com um vago aroma de terra, ainda a babar coisas perfeitas.
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Margarida C.
às
11:16 AM
Subindo ou descendo, nada se compara ao prazer de andar pela Avenida da Liberdade.
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Margarida C.
às
8:46 AM
Ás vezes convenço-me que estava escrito que teria que cumprir essa missão: gerar sangue novo para a nossa tribo.
Vendo bem, que honra teres saído "menina"!
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Margarida C.
às
2:46 PM
Os inteligentes revolvem a natureza em busca das suas forças.
Os imbecis exploram-na atrás de fragilidades.
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Margarida C.
às
12:02 PM
A RTP celebra hoje 50 anos. Bodas que se confundem com a história da televisão em Portugal e a memória mais recente do País que somos. Há quem possa não achar nada de extraordinário no facto. Eu entendo que o facto está recheado de extaordinários. O suficiente para atender ao chamado e sentir honra no abraço.
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Margarida C.
às
10:28 PM
Por ser aparentemente mais fácil, eles preferem continuar a jogar às damas no xadrez do tabuleiro. Assim concentrados, estão pelo menos mais distraídos.
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Margarida C.
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3:50 PM
Não é filtro. Não é cenário. Amanheceu assim: de um azul pujante, a lembrar que o Demiurgo nem sempre dorme.
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Margarida C.
às
6:17 AM
Reparando bem, nos fundos de qualquer jardim há uma mesa de xadrez. Para entreter os dias cinzentos dos desocupados e os fazer acreditar que, enquanto vão mexendo as peças, decidem a chegada da Primavera.
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Margarida C.
às
4:35 PM
Desculpe, se a gente é "mais feliz" porque ama o que faz, tá?!
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Margarida C.
às
4:04 PM
Até as divas têm as suas exigências de divinos segredos divinais.
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Margarida C.
às
10:57 AM
Serão na Parreirinha de Alfama. A ouvir Argentina Santos. Porque o melhor de Lisboa não se vê, ouve-se. Ouve-o quem sabe ouvir. O melhor de Lisboa é o Fado que Lisboa tem.
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Margarida C.
às
11:28 PM
Pela primeira vez, nos últimos três anos, o céu abriu a boca e engoliu a lua. Começou à hora do jantar, devagarinho. Quando terminou, pouco depois da meia-noite, tinha-a devorado por inteiro. Quem acaso ergueu o olhar, terá certamente visto que mais que o breu, era o vazio de não ter restado nada.
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Margarida C.
às
11:38 PM
Há quem diga que o homem evoluiu no momento em que deixou de se curvar em reverência aos astros e passou a ver-se só a si, como o único lugar das coisas para onde, desde então, aponta o olhar. Eu digo que não. Digo que é mais estreito o umbigo que o firmamento. Mais mudo e cego que a cavidade côncava da noite.
por
Margarida C.
às
9:58 PM
Mesmo o que é maior fica mais pequeno diante da alegria de ver as alegrias dela. Hoje ficou a saber que foi escolhida para a tal sessão de declamação de poesia.
Bravo, Pequena Cria!
A arte em ti sempre foi, em verdade, a melhor das obras: tuas, minhas e dos dias também.
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Margarida C.
às
7:38 PM
Fim-de-dia na mercearia do bairro. Delicadezas e atenções entre laranjas e beringelas. Sem pressas nem caras feias, as sacolas das compras parecem mais leves aos dedos. Na simpatia, até parece que o dinheiro rende de outra forma, mais que não seja pelo "Passar bem, até amanhã!" que ainda vem com o troco.
por
Margarida C.
às
5:50 PM
A vantagem de ser mais cedo é que até o cinzento mais cinza se apazigua, neste quase belo do bairro em dias de chuva.
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Margarida C.
às
5:38 PM
Na volta para casa, faço o de sempre: páro na praceta do bairro social, que começa ao fundo da estrada, abro a porta, assobio à garotada e dou todos esses presentes que encontrei na minha mesa. Inclusive o sapinho verde, com um relógio engasgado na barriga. Como manda o samba: "dou pra quem quiser usar".
por
Margarida C.
às
2:22 PM